sábado, 25 de julho de 2015

Eu nasci doutor e fiz a barba na maternidade.

Logo depois que nasci, fui pescador, carpinteiro e engenheiro; Pescava vontades de mudar o mundo, de dizer o que pensava e pescava medos. Construía telhados que me mantessem distante do que achavam e que me protegessem da chuva de opiniões inacabadas e formadas por outros senão aqueles que as proferiam.

Assim que me vi maior, passei a colar figurinhas, figurinhas de rostos aleatórios e que me faziam sentir a obrigação de coleciona-los, além de brincar de gente grande, brincar de balançar numa rede de desafios que ditavam meu caminho. Não gostei e pedi as contas.
Logo com barba, troquei duas ou três fraldas borradas com palavras que por algum motivo, queriam me trazer a sensação de arrependimento. Aquelas moscas do milho podre e fétido, não se satisfaziam com suas vidas de colar e colar figurinhas.

Um dia fugi do chiqueirinho, que ficava na sala feita por quem quer dizer o que devemos fazer, e descobri que sempre existe um porém, e que o prazer de ser, mora no “etc”.

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